O true peak é o nível mais alto da forma de onda de áudio reconstruída, incluindo os pontos entre amostras. Os medidores estimam-no por sobreamostragem, de 4× na norma ITU-R BS.1770, e mostram-no em dBTP. O pico de amostra (sample peak), mostrado em dBFS, só lê os valores das amostras. Um master com pico a 0 dBFS pode ter picos entre amostras acima de 0 dBTP, que podem saturar no conversor de reprodução ou quando o ficheiro é codificado em AAC, MP3 ou Ogg. O Spotify recomenda que os masters não passem de −1 dBTP de pico, e de −2 dBTP nos masters mais altos do que −14 LUFS.
True peak vs pico de amostra
Um ficheiro digital guarda a forma de onda como uma série de amostras. Na reprodução, o conversor transforma essas amostras de novo num sinal contínuo e desenha uma curva suave através delas. A curva não tem de mudar de direção numa amostra. Quando duas amostras vizinhas estão ambas perto da escala completa, a curva entre elas pode subir acima de qualquer uma.
Um medidor de picos de amostra só olha para os valores guardados, por isso não vê essa subida. Um medidor de true peak sobreamostra o sinal, calcula pontos extra entre os guardados e indica o mais alto deles. É por isso que as duas leituras diferem e que o true peak é sempre igual ou superior ao pico de amostra.
dBTP vs dBFS
As duas unidades usam a mesma escala. 0 é a escala completa digital e tudo abaixo é um número negativo. A diferença está no que se mede.
| dBFS (pico de amostra) | dBTP (true peak) | |
|---|---|---|
| O que lê | A amostra guardada mais alta | O ponto mais alto da forma de onda reconstruída |
| Como | Lê as amostras tal como estão | Sobreamostra, 4× na BS.1770 |
| Pode passar de 0? | Não, uma amostra não pode passar da escala completa | Sim, entre amostras |
| Serve para | Procurar overs digitais num ficheiro | Definir o teto de pico de um master |
Assim, um ficheiro pode ler −0,1 dBFS num medidor de picos de amostra e +0,5 dBTP num medidor de true peak ao mesmo tempo. As duas leituras estão certas. Só a segunda diz se a cadeia de reprodução vai saturar.
Porque contam os picos entre amostras
Os picos entre amostras acima de 0 dBTP causam problemas em dois sítios.
- No conversor de reprodução. Se o sinal reconstruído passar da escala completa, o conversor pode saturá-lo à saída.
- Na codificação com perdas. Os serviços de streaming e muitos leitores codificam em AAC, MP3 ou Ogg. O codificador altera um pouco a forma de onda, e um master já perto de 0 dBTP pode passar desse valor depois da codificação.
Um teto de −1 dBTP deixa margem para as duas coisas. O Spotify pede mais margem, −2 dBTP, nos masters mais altos do que −14 LUFS.
Picos e normalização de loudness
O true peak também decide quanto o Spotify pode subir uma faixa baixa. Na predefinição, o Spotify toca as faixas a −14 LUFS. Baixa as faixas altas e só pode subir as baixas até onde os picos deixam, mantendo-os abaixo de −1 dBTP.
Pense num master a −16 LUFS com um true peak de −2 dBTP. Para chegar a −14 LUFS, o Spotify teria de o subir 2 dB, o que poria os picos a 0 dBTP. Só o pode subir 1 dB, por isso a faixa toca a −15 LUFS, 1 dB abaixo das vizinhas. O mesmo master com um true peak de −4 dBTP recebe os 2 dB inteiros. O guia de normalização de loudness explica como cada serviço aplica isto.
True peak vs LUFS
Medem coisas diferentes, e um master precisa das duas leituras. Os LUFS medem a loudness ao longo do tempo, com uma ponderação que imita o ouvido. O true peak é o ponto mais alto. Dois masters com pico a −1 dBTP podem estar a −16 LUFS e a −8 LUFS, conforme a compressão e a limitação que levaram.
Os serviços de streaming definem o nível de reprodução a partir dos LUFS integrados. O true peak diz se o ficheiro vai saturar e quanta margem tem o Spotify para o subir. Para o lado da loudness, veja o que medem os LUFS e quantos LUFS deve ter o seu master.
Usar um limitador de true peak
Um limitador que só vigia as amostras mantém o pico de amostra no teto. Defina-o em −1 dB e o ficheiro lê −1 dBFS, mas o true peak pode continuar a ler mais alto. Um limitador com modo true peak estima os picos entre amostras, como faz um medidor de true peak, e mantém esses picos no teto.
- Ponha o limitador de true peak no fim da cadeia de master, depois de qualquer clipper ou saturação.
- Defina o teto em −1 dBTP, ou em −2 dBTP se o master for ficar mais alto do que −14 LUFS.
- Exporte na frequência de amostragem e na resolução finais e meça o ficheiro exportado com um medidor de true peak. A conversão de frequência de amostragem e o dither depois do limitador podem alterar os picos.
- Se o ficheiro exportado ler acima do teto, baixe um pouco o teto e exporte de novo.
Se o limitador não tiver modo true peak, defina o teto abaixo do seu alvo e confirme a exportação num medidor de true peak até ler onde quer.
Como verificar o true peak
Se o medidor do master da sua DAW tiver modo true peak, ligue-o quando masteriza. Verifique o ficheiro exportado e não só o medidor do bus master em tempo real.
O ABSeq mede o true peak de cada faixa carregada com sobreamostragem de 4× e mostra-o em dBTP ao lado dos LUFS integrados. A leitura fica vermelha acima de −1 dBTP, por isso um ficheiro acima do teto recomendado pelo Spotify salta à vista quando carrega as suas exportações lado a lado. A secção leituras das faixas do guia de ajuda explica cada valor.
Perguntas
Qual é a diferença entre true peak e pico de amostra?
O pico de amostra é a amostra guardada mais alta, em dBFS. O true peak é o ponto mais alto da forma de onda depois de reconstruída entre as amostras, estimado por sobreamostragem e mostrado em dBTP. O true peak é igual ou superior ao pico de amostra e pode passar de 0 mesmo quando nenhuma amostra passa.
Que true peak usar na masterização?
−1 dBTP ou abaixo, que é o que o Spotify recomenda. Nos masters mais altos do que −14 LUFS, o Spotify pede −2 dBTP. Esta margem protege contra picos entre amostras que saturam no conversor ou quando o ficheiro é codificado em AAC, MP3 ou Ogg.
O que quer dizer −1 dBTP?
Quer dizer que o ponto mais alto da forma de onda reconstruída, incluindo os picos entre amostras, fica 1 dB abaixo da escala completa digital. Esse 1 dB deixa margem para o conversor e para a codificação com perdas, para que o master não sature na reprodução.
Porque é que o true peak lê acima do teto do meu limitador?
O seu limitador deve estar a controlar o pico de amostra e não o true peak, por isso os picos entre amostras continuam a passar. Ligue o modo true peak, se o tiver, ou baixe o teto, e meça o ficheiro exportado num medidor de true peak.
Que true peak pede o YouTube?
O YouTube baixa as faixas altas até cerca de −14 LUFS e não publica as regras de loudness por completo. O Spotify publica, e o seu teto de −1 dBTP, ou −2 dBTP acima de −14 LUFS, serve para o mesmo master no YouTube.