Para comparar masters, iguale primeiro a loudness integrada e depois alterne entre eles em sincronia na mesma secção da canção. Um master está quase sempre mais alto do que a mistura, e um ficheiro mais alto soa mais cheio e mais brilhante, por isso uma comparação sem igualar diz sobretudo qual é o ficheiro mais alto. Com os níveis iguais, verifique quatro coisas: a loudness para a qual cada master foi feito, o true peak, o equilíbrio tonal e onde no espectro os masters diferem. Depois escreva as notas nesses termos, com tempos e números.

O que pode estar a comparar

  • A sua mistura contra o master, para ouvir o que a masterização fez.
  • Masters da mesma mistura feitos por dois ou mais engenheiros de masterização.
  • Masters de serviços de masterização com IA ou online, muitas vezes vários presets ou definições de loudness do mesmo serviço.
  • O primeiro master contra o segundo, depois de enviar notas.
  • O seu master contra um lançamento comercial do mesmo estilo.

O processo é o mesmo para todos. Use o mesmo ficheiro de mistura para todos os masters, para que a única diferença seja a masterização.

Igualar a loudness antes de ouvir

O ouvido é menos sensível aos graves e aos agudos a níveis baixos (ISO 226, as curvas de Fletcher-Munson). Um master 1 dB mais alto do que outro soa mais cheio e mais brilhante só por isso. Entre uma mistura a −18 LUFS e um master a −9 LUFS a diferença é de 9 dB, e o master ganha sempre se não os igualar.

Meça os LUFS integrados de cada ficheiro e baixe os mais altos até ao nível do mais baixo. Não suba o mais baixo, ou pode saturar. Agora o master e a mistura tocam com a mesma loudness e ouve as alterações de EQ, compressão, limitação e largura. Se o master só soa melhor por estar mais alto, a igualação mostra isso. O guia para igualar níveis explica o método.

No ABSeq, carregue a mistura e até três masters em A, B, C e D. O Auto Gain baixa todas as faixas até ao nível da mais baixa e a tecla A/B passa à faixa seguinte no mesmo momento da canção.

O que verificar

Loudness

Depois de igualar, volte às leituras. Anote os LUFS integrados de cada master. Um master mais alto não ganha nada nos serviços de streaming. O Spotify normaliza para −14 LUFS integrados por predefinição, por isso baixa 5 dB um master a −9 LUFS, e esse master passa a tocar ao mesmo nível de um master a −14 LUFS, com menos gama dinâmica. O Apple Music toca a cerca de −16 LUFS, o YouTube, o Tidal e o Amazon Music a cerca de −14 e o Deezer a cerca de −15. São estimativas, porque só o Spotify publica as suas regras por completo.

Assim, um master a −8 LUFS e um a −11 LUFS tocam ao mesmo nível no Spotify. Compare-os com o nível igualado e escolha o que soa melhor assim. O guia quantos LUFS deve ter um master explica os alvos em mais detalhe.

True peak

O true peak é o nível mais alto da forma de onda entre amostras. Um master pode ler 0 dBFS num medidor de picos de amostra e ter picos entre amostras acima de 0 dBTP, que podem saturar no conversor ou quando um serviço o codifica em AAC, MP3 ou Ogg. O Spotify recomenda que os masters não passem de −1 dBTP de pico, e de −2 dBTP nos masters mais altos do que −14 LUFS. Um master a −9 LUFS com pico a −0,3 dBTP falha os dois. Peça uma versão com um teto mais baixo.

Equilíbrio tonal

Ouça os graves, a presença da voz e os agudos, um de cada vez. Depois veja um gráfico de equilíbrio tonal de longo prazo. As misturas comerciais tendem a seguir uma inclinação de cerca de −4,5 dB por oitava. É uma aproximação geral e não um alvo por género, por isso use-a para detetar um master que se afasta muito das suas referências e não para lhe dar nota. O guia de equilíbrio tonal explica como ler a curva.

A diferença por banda

Um gráfico de diferença A/B mostra onde um master tem mais do que outro, banda a banda, depois de igualar a loudness. Transforma "o B soa mais pesado" em "o B tem mais 2,1 dB a 63 Hz". No ABSeq Pro, o gráfico de diferença A/B indica a maior diferença no título, por exemplo "B +2,1 dB @ 63 Hz". As bandas abaixo de cerca de 125 Hz são grosseiras, por isso leia com cuidado as pequenas diferenças nessa zona e confirme-as de ouvido.

Escolher entre vários masters

Com três ou quatro masters, comece por tirar os que falham uma verificação: true peak acima do teto de que precisa, ou um equilíbrio tonal muito longe das referências. Depois compare os restantes com a loudness igualada nas mesmas três secções, por exemplo a primeira estrofe, o refrão mais forte e a parte mais calma. Um limitador pode soar bem numa estrofe e bombear num refrão.

Quando dois masters estão próximos, dê aos ficheiros nomes neutros e teste às cegas. Se escolher o mesmo master 9 vezes em 10, o acaso é uma explicação improvável. Se as escolhas se dividirem por igual, qualquer dos masters serve, e pode decidir pelo preço, pelo prazo ou pela forma como o engenheiro trata as notas. O guia do teste A/B cego explica como o fazer.

Rondas de revisão

Guarde todas as rondas. Compare o master novo com o anterior e com a mistura, todos igualados. Uma nota que pedia menos graves deve aparecer na diferença A/B entre a primeira e a segunda ronda. Se não aparecer, a alteração não foi feita ou foi parar a outra banda.

Guarde cada comparação para lhe poder voltar. Uma sessão que guarda os ficheiros, a loudness e os resultados dos testes cegos também regista porque aprovou um master.

Como dar notas

Notas como "mais punch" ou "mais aberto" deixam o engenheiro a adivinhar. Notas com um tempo, uma parte e um número dão para agir.

  1. Diga o que comparou e como: "comparado com a loudness igualada contra a mistura e contra uma referência".
  2. Indique o tempo e a parte: "refrão a 1:12, bombo e baixo".
  3. Diga o que ouve e em que sentido: "os graves estão mais altos do que na mistura e o bombo perde o ataque".
  4. Junte a medição, se a tiver: "cerca de mais 2 dB a 63 Hz do que a mistura, true peak a −0,3 dBTP".
  5. Diga o que quer: "graves mais perto da mistura, teto a −1 dBTP".

As mesmas notas servem para um serviço de masterização com IA ou online. Aí muda um preset, uma intensidade ou uma definição de loudness em vez de enviar uma mensagem, e depois compara o ficheiro novo com o anterior da mesma forma.

Perguntas

Como comparar uma mistura e um master?

Baixe o master até à loudness integrada da mistura e depois alterne entre os dois em sincronia na mesma secção. O master costuma estar vários dB mais alto e, sem igualar, soa melhor só por isso.

Como comparar resultados de masterização com IA?

Masterize o mesmo ficheiro de mistura em cada serviço ou preset, iguale todos os resultados ao mais baixo pelos LUFS integrados e alterne entre eles nas mesmas secções. Verifique o true peak e o equilíbrio tonal e depois teste às cegas os dois mais próximos.

O master deve soar melhor do que a mistura?

Com a loudness igualada, deve soar melhor ou, pelo menos, não pior. Se a mistura soar melhor depois de igualar os níveis, a masterização prejudicou-a, e deve dizer onde e como nas suas notas.

Um master mais alto é melhor para o Spotify?

Não. O Spotify normaliza para −14 LUFS por predefinição, por isso um master a −9 LUFS é baixado 5 dB e toca ao mesmo nível de um mais baixo, com menos gama dinâmica.

Como aprovar um master?

Compare-o com a mistura e com as rondas anteriores com a loudness igualada, verifique o true peak face a −1 dBTP, ou −2 dBTP se estiver acima de −14 LUFS, e ouça as secções mais calmas e mais fortes. Aprove-o quando soar pelo menos tão bem como a mistura em todo o lado.