Para comparar dois arquivos de áudio, toque os dois em sincronia a partir do mesmo ponto, iguale o loudness integrado e alterne entre eles para ouvir o mesmo compasso de cada um. Ouça trechos curtos, alterne com frequência e anote o que muda. Se você precisa saber se uma diferença é audível, como WAV contra MP3, esconda qual arquivo é qual e repita a escolha várias vezes. Abrir dois arquivos um depois do outro num player te dá dois momentos diferentes da música em dois níveis diferentes, o que diz muito pouco.
O que as pessoas comparam
O método é o mesmo para qualquer par. O que muda é a pergunta que você faz.
| Par | Pergunta |
|---|---|
| Duas exportações de uma mix | Funcionou subir a voz 1 dB, o reverb novo ou o outro compressor de bus? |
| WAV contra MP3 ou AAC | Consigo ouvir o que o codificador com perdas tirou? |
| Duas versões de uma música | Qual arranjo, take ou edição é melhor? |
| Uma mix contra uma master | O que a masterização mudou, além do loudness? |
| Sua mix contra uma faixa comercial | Como meu equilíbrio se compara a um lançamento em que confio? |
Os dois últimos têm guias próprios: como comparar masters e como usar faixas de referência.
Alinhe os arquivos
Alternar só funciona quando os dois arquivos começam no mesmo ponto. Exporte cada versão da mesma posição inicial na DAW, com a mesma duração. Se um arquivo tem meio segundo de silêncio a mais no começo, cada troca pula meio segundo na música, e você compara notas diferentes.
Mantenha a mesma taxa de amostragem e o mesmo formato nas exportações que você compara, a menos que o formato seja justamente o que você está testando. Dê nome aos arquivos pelo que mudou, por exemplo "musica voz +1.wav" e "musica voz +0.wav", para que as anotações façam sentido depois.
Iguale o loudness primeiro
O arquivo mais alto costuma soar melhor. Os ouvidos são menos sensíveis a graves e agudos em níveis baixos (ISO 226, as curvas de Fletcher-Munson), então a versão mais alta soa mais cheia e mais brilhante. Uma diferença de cerca de 1 dB basta para enviesar a escolha. Um compressor de bus novo que acrescenta 1,5 dB de nível vai ganhar do antigo mesmo que soe pior no mesmo nível.
Iguale os arquivos pelo loudness integrado em LUFS, e não pelo nível de pico. O pico diz até onde chega a amostra mais alta. O LUFS mede o loudness do arquivo inteiro, com ponderação K para aproximar como os ouvidos escutam. Meça cada arquivo e abaixe o mais alto pela diferença. Um arquivo a −12 LUFS contra um a −14 LUFS precisa de 2 dB de redução de ganho. Abaixe o arquivo mais alto em vez de aumentar o mais baixo, para nada clipar. O guia de level matching explica isso com mais detalhe.
Alterne no mesmo momento
Pequenas diferenças de som são difíceis de lembrar. Alternar na hora, no mesmo ponto da música, permite comparar a mesma nota dos dois arquivos enquanto a primeira ainda está fresca. Parar o arquivo A, abrir o arquivo B e dar play do começo coloca 30 segundos de música e uma pausa entre as duas coisas que você quer comparar.
- Escolha um trecho que mostre a diferença: o refrão para uma mudança na voz, uma parte vazia para o reverb, uma passagem de bumbo e baixo para os graves.
- Coloque esse trecho em loop, com 4 a 8 compassos.
- Alterne a cada um ou dois compassos. Ouça um elemento de cada vez: primeiro a voz, depois os graves, depois os pratos.
- Anote qual arquivo você prefere em cada elemento, e por quê.
O ABSeq faz esses passos no iPhone e no iPad. Ele toca até quatro arquivos em sincronia e em loop, a tecla A/B passa para a próxima faixa no mesmo momento da música, e o Auto Gain mede o loudness integrado de cada arquivo e abaixa cada faixa até o nível da mais baixa. Ele abre WAV, AIFF, AIFC, CAF, FLAC, MP3, M4A e AAC pelo app Arquivos. O passo a passo do ABSeq mostra cada etapa.
WAV vs MP3 e AAC
Um arquivo WAV guarda o áudio do jeito que foi exportado. MP3 e AAC são formatos com perdas. O codificador tira o conteúdo que ele prevê que você não vai ouvir, e assim o arquivo fica menor. Se você consegue ouvir a perda depende da música, dos ajustes do codificador, do seu sistema de reprodução e dos seus ouvidos. Só um teste responde isso para você.
Fique de olho nos picos ao codificar. True peak é o nível mais alto da forma de onda entre as amostras. Uma master com sample peak em 0 dBFS pode ter picos entre amostras acima de 0 dBTP, que podem clipar quando a master é codificada em AAC, MP3 ou Ogg. O Spotify recomenda que as masters não passem de −1 dBTP, e de −2 dBTP para masters mais altas que −14 LUFS. Se um arquivo codificado soa áspero ou crepitante nas batidas fortes e o WAV não, confira primeiro o true peak do WAV. O guia de true peak explica por quê.
Testes cegos mostram se você consegue ouvir
Quando você sabe qual arquivo é o WAV, tende a ouvi-lo como melhor. Um teste cego tira isso. Outra pessoa, ou um software, toca os dois arquivos em ordem aleatória sem dizer qual é qual, e você escolhe um a cada rodada.
Há dois tipos de teste. Um teste ABX pede que você identifique qual arquivo é o X. Um teste de preferência pergunta qual das duas versões você prefere. Nos dois, o acaso conta. Em 16 tentativas de ABX, acertar 12 ou mais tem menos de 5% de chance no chute (p ≈ 0,038). Em 10 tentativas, acertar 9 ou mais tem cerca de 1% de chance (p ≈ 0,011). O mesmo raciocínio vale para a preferência. Se você escolhe o mesmo arquivo 9 vezes em 10, o acaso é uma explicação improvável. Se suas escolhas ficam 5 a 5, você não ouve uma diferença que importe, e qualquer um dos arquivos serve.
O Teste cego do ABSeq é um teste de preferência. A cada rodada ele toca o mesmo trecho curto das faixas A e B, embaralhadas e identificadas como Versão A e Versão B, com o Auto Gain ligado por padrão. Você define de 1 a 50 rodadas e os segundos por trecho, e os nomes dos arquivos só aparecem nos resultados. O guia de teste cego A/B mostra quantas rodadas fazer e como ler o placar.
Perguntas
Como comparar dois arquivos de áudio?
Exporte os dois do mesmo ponto inicial, iguale o loudness integrado em LUFS e depois toque os dois em sincronia, alternando no mesmo momento da música. Coloque um trecho curto em loop, alterne a cada um ou dois compassos e anote qual arquivo você prefere em cada elemento.
Como comparar a qualidade de áudio de dois arquivos?
Iguale o loudness primeiro, porque o arquivo mais alto costuma soar melhor. Depois alterne entre eles no mesmo trecho e faça um teste cego para não saber qual é qual. Se você escolhe o mesmo arquivo 9 vezes em 10, a diferença provavelmente é real.
Dá para ouvir a diferença entre WAV e MP3?
Depende da música, dos ajustes do codificador, do seu sistema de reprodução e dos seus ouvidos. Teste às cegas com o loudness igualado. Em 16 tentativas de ABX, 12 ou mais acertos têm menos de 5% de chance de vir do chute.
Por que um arquivo soa melhor só por ser mais alto?
Os ouvidos são menos sensíveis a graves e agudos em níveis baixos, então uma versão mais alta soa mais cheia e mais brilhante. Uma diferença de cerca de 1 dB pode enviesar uma comparação. Iguale o LUFS integrado antes de julgar.
Como comparar duas faixas de áudio com durações diferentes?
Corte ou exporte de novo para que comecem no mesmo ponto da música e depois coloque em loop o trecho que você quer julgar. Se os pontos de início forem diferentes, cada troca pula para outro momento e você compara notas diferentes.